terça-feira, 1 de setembro de 2009

FILOSOFIA SOCRÁTICA

Sócrates (470 a.C. - 399 a.C.)

INTRODUÇÃO

Por que Sócrates é considerado o “patrono da filosofia”? Talvez seja porque ele jamais se contentou com as opiniões estabelecidas, com os preconceitos de sua sociedade e com as crenças mantidas inquestionáveis pelos seus conterrâneos. Em suma, Sócrates desconfiava das aparências e procurava a realidade verdadeira das coisas.

Sócrates andava pelas ruas de Atenas questionando as pessoas: “O que é isso que você está fazendo?”, “O que é isso que você está dizendo?”. Os atenienses achavam, por exemplo, que sabiam o que era a justiça. Sócrates lhes fazia perguntas de tal maneira que, embaraçados e confusos, chegavam à conclusão de que não sabiam o que era a justiça. Os atenienses acreditavam que sabiam o que era a coragem. Com suas perguntas incansáveis, Sócrates os fazia concluir que não sabiam o que era a coragem. Os atenienses acreditavam que sabiam o que era a bondade, a beleza, a verdade, mas um prolongado diálogo com Sócrates os fazia perceber que não sabiam o que era aquilo em que acreditavam.

A pergunta “O que é?” era o questionamento sobre a realidade essencial e profunda de uma coisa para além das aparências e contra as aparências. Com essa pergunta, Sócrates levava os atenienses a descobrir a diferença entre parecer e ser, entre mera crença ou opinião e verdade.

Desta forma, Sócrates auxiliava as pessoas a libertarem suas mentes das meras aparências, e as direcionava à buscar a verdade, mas também o conhecimento interior: “conhece-te a ti mesmo”. Nesta mesma linha de raciocínio, Sócrates chegou a conclusão da importância da atitude crítica e emendou, dizendo que só estaremos aptos a conhecer a verdade, sendo críticos com nós mesmos, reconhecendo a nossa ignorância: “Só sei que nada sei”. Daí, mais tarde, chega-se à conclusão que a filosofia está voltada para os momentos e situações críticas.

PERÍODO SOCRÁTICO OU ANTROPOLÓGICO

Sócrates deu origem a um importante período da filosofia grega, chamado período Socrático ou Antropológico, que perdurou do fim do século V a.C. a todo o século IV a.C., quando a filosofia investiga as questões humanas, isto é a ética, a política e as técnicas, e busca compreender qual é o lugar do homem no mundo.

O período Socrático foi marcado por grandes mudanças nas cidades, no comércio, no artesanato e nas artes militares, então, sendo responsável por Atenas ter se tornado o maior centro de vida social, política e cultural da Grécia.

Foi a época de maior florescimento e esplendor da “democracia”, que por sua vez, instituiu o conceito burguês de “cidadão”.

Com o florescimento da democracia e da figura do cidadão, surge então a necessidade dos mesmos aprenderem a exercer a sua “cidadania”, opinando, discutindo, deliberando e votando nas assembléias. Assim, a nova educação estabelece como padrão ideal a formação do bom orador, isto é, aquele que sabe falar em público e persuadir os outros na política. Para dar essa educação, surgiram os sofistas, os primeiros filósofos do período socrático.

  • A filosofia socrática se voltou para as questões humanas no plano da ação, dos comportamentos, das idéias, das crenças, dos valores e, portanto, se preocupa com as questões morais e políticas.
  • O ponto de partida da filosofia é a confiança no pensamento ou no homem como um ser racional, capaz de conhecer-se a si mesmo e, portanto, capaz de reflexão.
  • Como se trata de conhecer a capacidade de conhecimento do homem, a preocupação se volta para estabelecer procedimentos que nos garantam que encontramos a verdade, isto é, o pensamento deve oferecer a si mesmo caminhos próprios, critérios próprios e meios próprios para saber o que é o verdadeiro e como alcança-lo em tudo o que investigamos.
PRINCÍPIOS GERAIS DO CONHECIMENTO VERDADEIRO
  • Distinção entre o conhecimento sensível e o conhecimento intelectual;
  • Diferença entre opinião e saber ou conhecimento verdadeiro;
  • Diferença entre aparência e essência.

SÓCRATES CONTRA OS SOFISTAS

Que diziam e faziam os sofistas? Diziam que os ensinamentos dos filósofos cosmologistas estavam repletos de erros e contradições e que não tinham utilidades para a vida da pólis. Apresentavam-se como mestres de oratória ou de retórica, afirmando ser possível ensinar aos jovens essa arte para que fossem bons cidadãos.

Percebendo as más intenções dos sofistas, Sócrates logo rebelou-se, dizendo que eles não eram filósofos, pois não tinham amor pela sabedoria nem respeito pela verdade, defendendo qualquer idéia se isso fosse vantajoso. Corrompiam o espírito dos jovens, pois faziam o erro e a mentira valerem tanto quanto a verdade.

SÓ SEI QUE NADA SEI”

A consciência da própria ignorância é o começo da filosofia. O que procurava Sócrates? Procurava a definição daquilo que uma coisa, uma idéia, um valor é verdadeiramente. Isso se chama essência. Sócrates procurava a essência real e verdadeira das coisas. Sócrates procurava o conceito, e não a mera opinião que temos de nós mesmos, das coisas, das idéias e dos valores. O conceito é uma verdade intemporal, universal e necessária.

Por isso, Sócrates não perguntava se uma coisa era bela – pois nossa opinião sobre ela pode variar –, e sim “O que é beleza?”, “Qual é a essência ou conceito do belo, do justo, do amor, da amizade?”.

Sócrates perguntava: “Que razões rigorosas você possui para dizer o que diz e para pensar o que pensa?”, “Qual o fundamento racional daquilo que você fala e pensa?”.

Ora, as perguntas de Sócrates referiam-se a idéias, valores, práticas e comportamentos que os atenienses julgavam certos e verdadeiros em si mesmos e por si mesmos. Ao fazer suas perguntas e suscitar dúvidas, Sócrates os fazia pensar não só sobre si mesmos, mas também sobre a pólis. Aquilo que parecia evidente acabava sendo percebido como duvidoso e incerto.

AS IDÉIAS DE SÓCRATES

Sabemos que os poderosos têm medo do pensamento, pois o poder é mais forte se ninguém pensar, se todos aceitarem as coisas como elas são, ou melhor, como nos dizem e nos fazem acreditar que são. Para os poderosos de Atenas, Sócrates tornara-se um perigo, pois fazia a juventude pensar. Por isso, eles o acusavam de desrespeitar os deuses, corromper os jovens e violar as leis. Levando à assembléia, Sócrates não se defendeu e foi condenado a tomar um veneno.

Por que Sócrates não se defendeu? “Porque”, dizia ele, “se eu me defender, estarei aceitando as acusações, e eu não as aceito. Se eu me defender, o que os juízes vão exigir de mim? Que eu pare de filosofar. Mas eu prefiro a morte a ter de renunciar à filosofia”.

DOGMATISMO E A BUSCA PELA VERDADE

Quando prestamos atenção e Sócrates, notamos que ele desconfia das opiniões e crenças estabelecidas em sua sociedade, mas também desconfia de suas próprias idéias e opiniões. Desconfia, enfim, do dogmatismo, ou seja, aquelas atitudes espontâneas que temos desde crianças.

O mesmo pode ser aplicado as nossas sensações ou impressões sensoriais, que variam conforme o estado de nosso, as disposições de nosso espírito e as condições em que as coisas nos parecem.

Pelo mesmo motivo, devemos ou abandonar as idéias formadas com base nas nossas sensações, era o que dizia Sócrates.

Fonte: FILOSOFIA - CHAUI, Marilena.

PORTAL COMUNISTA - publicação de WILLIAN DE SOUZA famousstudio_willian@yahoo.com.br

5 comentários:

Anônimo disse...

Muito interessante, aprendi bastante aqui.

Anônimo disse...

Portal muito inteligente e principalmente objetivo.parabéns

Téssaro Bento disse...

Gostei desta abordagem de Sócrates, interessante.

serafim herodoto de mileto disse...

gostei muito do fundamento de socrates no que conserne a este periodo filosofico e aprendi bastante ou incomensumeravelmente com este conteudo.

Anônimo disse...

Nunca existiu, até hoje, um comunista marxista socrático. Todos os marxistas são sofistas e eristas, se valem de muitas artimanhas para embaralhar o diálogo e confundir o interlocutor, adoram tergiversar, se valem de retórica dispersiva e outros recursos sofísticos.

Pretender ser socrático e marxista é uma piada, pois o marxismo é, por excelência, baseado em falsas premissas que seus defensores escondem com unhas e dentes e jamais permitem que as mesmas sejam examinadas.