sábado, 14 de agosto de 2010

SERES HUMANOS X ANIMAIS: HÁ DIFERENÇAS ENTRE ELES?

A verdade é uma regra que ao ser debatida supera exceções”.

Pensando nisso iremos comparar os seres humanos com animais em relação aos seguintes tópicos, realizando um paralelo a fim de estabelecer o que é verdadeiro:

Alimentação: Genericamente todos, sejam seres humanos ou animais, estão inseridos em uma cadeia alimentar, porém somente os animais respeitam essa regra; sendo os seres humanos uma exceção, indo em contraponto à regra da cadeia alimentar e desrespeitando sobretudo sua própria saúde ao fazer uso de alimentos industrializados e substâncias nocivas.
Estilo de vida: Entre seres humanos e animais existe uma diferença essencial em ralação ao estilo de vida; o que confere aos animais uma maior espontaneidade, característica instintiva dos seres irracionais, como usar somente o necessário para sobreviver; já os seres humanos acabam sendo menos naturais, justamente pela capacidade de raciocínio, fato que nos torna mais imprevisíveis; queremos estudar e construir tudo e com isso acabamos por destruir tudo.
Organização social: A organização social dos seres humanos é bastante complexa, repleta de atividades e atribuições, mas com um objetivo próprio; cada líder de empresa, por exemplo, visa seu próprio lucro, obtendo assim um maior retorno de suas ações e sendo recompensados mais rapidamente; já a organização dos animais é algo bastante espontâneo que se caracteriza única e exclusivamente pelos instintos e posições sociais automaticamente recebidas e executadas, sem ter alguma recompensa a mais, além do próprio alimento e sobrevivência.
Organização do trabalho: Os seres humanos há anos estão inseridos na ideologia da alienação do trabalho, são vítimas da mais valia já conceituada por Karl Marx, que afirmava a humanização das mercadorias e a desumanização dos homens; realidade que certamente não encontraríamos na rotina dos animais, que cumprem suas atribuições de forma espontânea e para sua própria subsistência e subsistência do grupo.
Justiça: A justiça é uma criação dos seres humanos, juntamente com a democracia, uma invenção quase perfeita, mas falha no sentido de não contemplar aspectos que possibilitem o mínimo de dignidade ao homem; já os animais mesmo não conhecendo, nem praticando a justiça e a democracia, têm uma organização bem melhor com relação à justiça, pois eles praticam a sábia “ignorância”, e isso os faz agir de modo justo, resolvendo seus problemas instintivamente.
Razão: Costumamos dizer que somente os seres humanos têm e exercitam a razão, mas se pararmos para pensar perceberemos que até mesmo nos atos instintivos dos animais enxergaremos mais razão e coerência que em atos pensados, planejados e repensados dos humanos, como por exemplo: os elefantes nunca andam em fila indiana, pois se andassem prejudicariam o solo, é instintivo, porém certo, enquanto os humanos, que executam a razão, continuam a prejudicar seu próprio habitat e não pensam sobre parar e tentar consertá-lo.
Instinto: Podemos dizer que tanto humanos quanto animais agem instintivamente, porém nos animais isso nos parece mais explicito, os seres humanos em dados momentos também podem agir “instintivamente”, chamamos isso de inconsciência, mas que na verdade é muito consciente, uma vez que para toda ação que executamos exercemos o mínimo que seja de razão; contudo, a nossa “falta” de instinto nos concede uma maior capacidade de discernimento e com isso podemos nos adaptar as mais diversas realidades, diferente dos animais considerados “instintivos”, isso também nos permite controlar e transformar a natureza em nosso favor, embora não da melhor forma.
Predadores: De acordo com a cadeia alimentar, os animais são predadores de indivíduos de outras espécies, nunca da sua própria espécie, e sempre com o objetivo de obter alimento, sem prejudicar numericamente e significativamente determinada espécie; mas fazendo um comparativo com os seres humanos, nós acabamos por predar os indivíduos de nossa própria espécie, e sempre por motivo fútil ou pura crueldade. Estas são conseqüências e frutos do capitalismo, tendo como resultado a bandidagem que presenciamos todos os dias nos grandes centros urbanos. Com o objetivo de obter mais capital ou poder na sociedade; todavia o predatorismo do ser humano também é devido a outros fatores como a competitividade por altas posições sociais que inibem as pessoas de realizarem suas contribuições honestas para a sociedade e, com isso, acabam por ter que cometer atrocidades, como matar ou roubar.
Utilização dos recursos naturais: Os seres humanos são muitos inferiores em relação aos animais nesse sentido, pois nós retiramos da natureza muito mais do que necessitamos, em contraponto, sabemos muito mais sobre os elementos naturais e com isso sabemos usá-los melhor ou em nosso favor, sendo não necessariamente prudentes ou ecologicamente corretas as nossas escolhas; por isso sofremos com tantos impactos ambientais, já os animais só utilizam os recursos do nosso planeta única e exclusivamente para a sua sobrevivência, sem extrair mais do que precisam e especialmente sem gerar competitividade entre a comunidade.
Relação com o ser transcendente: Sabe-se também que os animais são os únicos seres que servem e obedecem ao ser transcendente de forma plena e inata, ou seja, espontaneamente, já os seres humanos são os únicos que insistem em desobedecer à vontade do ser transcendente, novamente por causa de sua razão, pois esta o força à refletir e chegar a conclusões precipitadas e erradas; os animais, como não dispõem de uma racionalidade desenvolvida como a nossa, podem chegar à respostas corretas, porém com uma demanda de tempo bem maior e é exatamente por causa disso que o nível de tecnologia do ser humano é bem mais desenvolvido, pois, se adorássemos ao ser transcendente dia e noite, dependeríamos dele o tempo todo e não desenvolveríamos nossa tecnologia a ponto de se tornar extremamente nociva à nossa própria espécie e a todos os seres viventes do planeta.

Com essas comparações concluímos que, verdadeiramente, animais e humanos “empatam” quando comparados nas dez questões que citamos, pois quando se ganha em alguns aspectos se perde em outros, ou seja, à medida que o ser humano evolui tecnicamente, ele involui humanamente; e essa é uma verdade completa.

Contudo ainda nos resta uma única pergunta que não quer calar: Quem é melhor? Os seres humanos ou os animais?

PORTAL COMUNISTA - publicação de NATAN PONZONI GALVANI DE OLIVEIRA e WILLIAN DE SOUZA famousstudio_willian@yahoo.com.br

terça-feira, 27 de julho de 2010

JARDIM BOTÂNICO DE SÃO PAULO - PARQUE ESTADUAL FONTES DO IPIRANGA

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HISTÓRICO DO LOCAL

Roteiro de visitação completo e ilustrado com planta do jardim botânico de São Paulo.


O jardim botânico de São Paulo, conhecido como Parque Estadual Fontes do Ipiranga localiza-se no bairro da Água Funda, zona Sul da cidade de São Paulo; uma área de mata Atlântica bastante preservada.

No final do século passado, a área do Parque Estadual Fontes do Ipiranga era uma vasta região com mata Atlântica nativa, ocupada por sitiantes e chacareiros. Por ordem do governo as desapropriações na área vinham ocorrendo desde 1893 visando a recuperação da floresta, a utilização dos recursos hídricos e a preservação das nascentes do Riacho do Ipiranga.

Em 1917 a região passara a ser propriedade do governo e a se chamar Parque do Estado. Até 1928 serviu para captação de águas, que abasteciam o bairro do Ipiranga. Neste mesmo ano o naturalista Frederico Carlos Hoehne foi convidado para implantar um horto botânico na região; com isso o local passa a pertencer ao patrimônio histórico de São Paulo, ressaltando ainda mais a sua importância ecológica.

O Jardim Botânico de São Paulo foi oficializado em 1938 com a criação do Departamento de Botânica (atual Instituto de Botânica), na época órgão da Secretaria da Agricultura, Indústria e Comércio de São Paulo. Já em 1969 a área de preservação, passou a se chamar Parque Estadual Fontes do Ipiranga, substituindo a antiga denominação Parque do Estado.

Fonte: www.ibot.sp.gov.br

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terça-feira, 29 de junho de 2010

COMO SOLUCIONAR O PROBLEMA DO BULLYING?

De modo geral, bullying é o comportamento agressivo de um ou mais estudantes contra outro(s). O termo se origina de bully, que significa “valentão” em inglês. Esse tipo de violência ocorre principalmente nas escolas (na maioria dos casos em escolas particulares), tanto no ensino fundamental, quanto no médio, mas não tem se limitado ao âmbito escolar, também já chegou à internet, de onde derivou a expressão cyberbullying.

O bullying é um dos principais problemas enfrentados pelos jovens no século XXI, este inimigo invisível pode estar presente em todos os lugares, independentemente da nossa vontade, pois a tendência à intolerância e à violência é generalizada, podendo atingir qualquer um de nós, não escolhendo cor, religião ou classe social.

Bullying nada mais é do que o fruto de anos e anos da nossa imersão ao sentimento imperialista, potencializado pelo sistema capitalista, que é extremamente excludente, especialista na geração de desigualdades e nos instiga à intolerância e ao desrespeito àqueles que não participam da nossa realidade e do nosso contexto social. Já nas escolas este conflito aparece de forma ainda mais irracional, ou seja, a falta de afinidades com um colega de classe é um ótimo motivo para agredi-lo, humilhá-lo, ou hostilizá-lo.

Todos sabemos que além de obedecer aos critérios sociais e aos valores capitalistas, o bullying também é muito nocivo ao indivíduo, que pode apresentar sintomas como fortes transtornos psicológicos, em suma, para combatermos o bullying não basta tratar exclusivamente o indivíduo, mas desenvolver todo um projeto sócio-educativo, pautado nos valores, nos bons exemplos e na moral, além de contar com uma iniciativa das escolas em conjunto com a comunidade, incentivando à aceitação das diferenças e a cooperação com o próximo.

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segunda-feira, 28 de junho de 2010

O ESPORTE COMO AGENTE TRANSFORMADOR DA SOCIEDADE

Em tempo de Copa do Mundo é natural que todos demonstrem mais interesse e tomem mais iniciativas para a prática do futebol, ou até mesmo de outras modalidades esportivas. Porém algo que deve ser sempre discutido é a importância do esporte como um agente social capaz de mudar a vida das pessoas.

Todos sabemos que o esporte trás vários benefícios ao nosso corpo e à nossa saúde, mas, além disso, exerce o importante papel de promotor de cidadania.

O papel social do esporte é indiscutível, pois nos ensina a respeitar as regras do jogo, respeitar os limites e sempre agir em cooperação ao próximo.

Sabemos que uma combinação ainda mais eficiente é “esporte mais escola”, numa proposta de ensino integrada esta combinação propiciará um melhor aprendizado, mais proveitoso e prazeroso aos jovens, que ao ocuparem seu tempo ocioso estarão longe das drogas e demais situações de risco.

Diversos projetos como este já estão disponíveis em escolas da rede pública de ensino, mas pecam no sentido de não oferecerem um contínuo acompanhamento social dos jovens; não basta ter infra-estrutura moderna e tecnologias de última geração, sendo que a questão humana e dos valores não são trabalhadas de acordo.

Portanto o esporte é, com certeza, um eficiente agente transformador na vida das pessoas, desde que esteja atrelado à democratização da educação, exercendo um papel preventivo, estreitando as relações sociais e tirando os jovens da marginalização.

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domingo, 27 de junho de 2010

GEOPOLÍTICA APLICADA – GUERRA FRIA (do atual conflito “Norte X Sul” até os fatores locacionais)


A queda do muro de Berlim em 1989 foi um marco na história mundial, um período de intensas transformações tanto geopolíticas quanto econômicas à nível internacional.

A queda do muro, além de tudo, simbolizou a unificação das Alemanhas Oriental e Ocidental, algo inimaginável naquela época, enfim o atraso tecnológico, as técnicas de produção obsoletas e sobretudo o espectro do comunismo estavam com os dias contados na Eurásia.

Em substituição ao conflito “Leste X Oeste”, típico da Guerra Fria, surge o atual conflito “Norte X Sul”, que gira em torno do caráter unipolar (representado quase que exclusivamente pelos EUA), ou multipolar (incluindo também países desenvolvidos como a própria Alemanha, a Inglaterra, Japão e emergentes, tendo como exemplo a China).

A divisão geopolítica “Norte X Sul” não se dá somente no âmbito geopolítico, como vimos anteriormente, mas também no cenário sócio-econômico, o que significa que o Norte não necessariamente estará acima da linha do Equador e o Sul respectivamente abaixo, pois muitos países mesmo estando localizados geograficamente ao Sul, por exemplo, podem pertencer ao Norte economicamente falando, como é o caso da Austrália.

Damos ao atual conflito “Norte X Sul” o nome de multilateralismo com até mesmo um crescente regionalismo econômico; tanto um quanto o outro, são resultados das influências capitalistas no mundo globalizado, pois a cada dia o comércio internacional é intensificado graças à formação de mercados comuns (União Européia), zonas de livre comércio (Nafta), ou Uniões Aduaneiras (Mercosul).

O regionalismo econômico, como próprio nome já diz, compreende países próximos que estabelecem um acordo comercial, podendo apresentar maior ou menor nível de integração, um exemplo de grande integração é a União Européia, que estabeleceu não só uma legislação em comum, mas também políticas comerciais e uma moeda unificada, o Euro.

Os chamados blocos econômicos são de grande importância no cenário sócio-econômico atual, sendo extremamente funcionais desde que não haja preconceitos contra os países subdesenvolvido ou emergentes e até mesmo uma possível exploração por parte dos países mais ricos, fato constatado no Nafta (Tratado Norte-americano de Livre Comércio), onde o Canadá e especialmente os EUA acabavam por explorar seus vizinhos mexicanos que de acordo com a DIT (Divisão Internacional do Trabalho) são exportadores de matéria-prima e conseqüentemente têm que importar produtos industrializados com alto valor agregado dos países mais desenvolvidos. O ideal e mais justo seria que tais blocos garantissem que países subdesenvolvidos pudessem emergir de forma equilibrada sem gerar interdependência nem mesmo uma disputa desleal entre as nações, onde cada país pudesse se desenvolver em todos os sentido, especialmente social e culturalmente.

A União Européia é sem dúvida um exemplo de grande integração econômica e comercial, porém devemos considerar o ocorrido com a Grécia, que acabou por não conseguir acompanhar o intenso ritmo da UE e passa por crises social e econômica atualmente.

Outro bloco econômico que merece nossa atenção é a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), que desde o início caracterizou um possível “acordo” entre o tubarão (EUA) e as sardinhas (demais países subdesenvolvidos da América Latina). O que significa que esta seria uma excelente oportunidade para os Estados Unidos inserirem ainda mais os seus produtos no mercado latino, além de obter significativas vantagens na importação de matérias-primas, devida a isenção/redução de impostos.

Existem alguns fatores que possibilitam ainda mais a formação, integração e a consolidação dos blocos econômicos, estes são os fatores locacionais, muito importantes para que indústrias, tanto nacionais, mas especialmente as multinacionais possam territorializar-se; estas na maioria das vezes estão em busca de infraestrutura não-saturada, mão-de-obra barata, mercado consumidor em ascensão, captação de matéria-prima, subsídios dos governos locais, proximidade à portos, rodovias, ferrovias, ou aeroportos, geralmente alguns países subdesenvolvidos e até mesmo emergentes reúnem boa parte destes fatores, um exemplo claro disso é o Brasil, com abundância em matérias-primas, mão-de-obra, tanto especializada, quanto não-especializada, além de uma grande malha rodoviária, portos e aeroportos modernos.

Já para algumas empresas como a Nike, por exemplo, dentre todos os fatores locacionais anteriormente citados, o mais interessante seria a mão-de-obra barata e não-especializada, encontrada em muitos países africanos, Taiwan, Camboja e até mesmo na China.

Podemos concluir dizendo que em várias situações os fatores locacionais são direcionados e coordenados pela DIT, que implica na antiga relação mercantilista, onde os atuais países subdesenvolvidos encaixam-se na categoria de meros fornecedores de matéria-prima e mão-de-obra pouco especializada, já os países ricos são assim classificados por possuírem tecnologia de ponta necessária para transformar simples placas de metal (matéria-prima) em modernos chips de computador, por exemplo, (bens de consumo com alto valor agregado); grosseiramente esta é a relação que torna os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres e eternos devedores do sistema capitalista.

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TELEVISÃO - Titãs

A Televisão

Me deixou burro
Muito burro demais
Agora todas coisas
Que eu penso
Me parecem iguais
O sorvete me deixou gripado
Pelo resto da vida
E agora toda noite
Quando deito
É boa noite, querida
Oh! Cride, fala prá mãe.

Que eu nunca li num livro
Que o espirro
Fosse um vírus sem cura
Vê se me entende
Pelo menas uma vez
Criatura!
Oh! Cride, fala prá mãe.

A mãe diz prá eu fazer
Alguma coisa
Mas eu não faço nada
A luz do sol me incomoda
Então deixa
A cortina fechada
É que a televisão
Me deixou burro
Muito burro demais
E agora eu vivo
Dentro dessa jaula
Junto dos animais
Oh! Cride, fala prá mãe.

Que tudo que a antena captar
Meu coração captura
Vê se me entende
Pelo menos uma vez
Criatura!
Oh! Cride, fala prá mãe.

A mãe diz prá eu fazer
Alguma coisa
Mas eu não faço nada
A luz do sol me incomoda
Então deixa
A cortina fechada
É que a televisão
Me deixou burro
Muito burro demais
E agora eu vivo
Dentro dessa jaula
Junto dos animais
E eu digo: Oh! Cride, fala prá mãe.

Que tudo que a antena captar
Meu coração captura
Vê se me entende
Pelo menos uma vez
Criatura!
Oh! Cride, fala prá mãe.

Titãs - Álbum Televisão (1985).


Na verdade os meios de comunicação deveriam ser denominados meios de alienação, uma vez que estes nos submetem à padrões pré-estabelecidos e nos condicionam à agir conforme os interesses de uma minoria, que garantida pelo poder do dinheiro, torna-se a grande maioria, capaz de ditar tendências e influenciar o comportamento de milhões de pessoas.

Os meios de comunicação nos transforma a cada dia em pessoas mais individualistas, nos desumaniza à nível de sermos um simples produto no mercado de trabalho, nós valemos apenas pela embalagem, somos rotulados a todo momento, nosso conteúdo na verdade é o que menos importa na sociedade das aparências.

Em nossa atual conjuntura social, os meios de comunicação estão presentes como fortes ditadores de modas e tendências, instigando os jovens à viverem o presente com toda a intensidade, esquecendo-se do passado e tampouco lembrando-se de construir um futuro melhor, mais justo e igualitário.

Os meios de alienação são os principais geradores dos antagonismos sociais, pousados sobre a hegemonia do capitalismo, nos tornam cada vez mais burros, dizem que nos facilita a vida e agiliza nossas tarefas do dia-a-dia, na real estão nos transformando em escravos da tecnologia e subproduto do capitalismo.

A todo o momento somos bombardeados pela alta tecnologia e pela evolução digital, por isso agora encontro-me pensativo e tampouco saberei responder se tudo isso que pensamos vivemos e presenciamos no novo milênio é real ou digital. Será isso uma revolução, uma evolução ou uma “involução”?

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quinta-feira, 13 de maio de 2010

PORTAL COMUNISTA NO PRÊMIO TOPBLOG 2010

O PORTAL COMUNISTA agradece a todos que prestigiam nosso trabalho e encaram com seriedade nossas reflexões, estamos muito felizes pela sua confiança!
Muito obrigado,
Willian de Souza.

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domingo, 9 de maio de 2010

ADEUS LENIN - Wolfgang Becker 2003

O contexto retratado pelo filme é o do fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e a transição radical do socialismo para o capitalismo na Alemanha Oriental.

Em relação à formação do novo cenário geopolítico (Norte X Sul) podemos retratar a ascensão das grandes marcas multinacionais e a divisão do globo em Norte (desenvolvido) e Sul (subdesenvolvido).

O mundo bipolarizado entre as duas principais potências EUA e URSS, se vê livre do espectro socialista, tornando-se multipolar, onde os Estados Unidos conseguem estender suas influências por todos os lugares ao mesmo tempo e ao mesmo passo em que está em andamento uma total revolução tecnológica, característica do Novo Mundo.

Com a queda do Muro de Berlim, ocorre uma radical reordenação econômica e política internacional, que nada mais é, do que a troca, ou a mera substituição do conflito geopolítico “Leste X Oeste” para o atual conflito “Norte X Sul”, porém o capitalismo, agora tranqüilo em relação às tendências socialistas emergentes, ocupa o papel central no Novo Mundo, onde o Estado limita-se a transferir todo seu poder político de monopólio e decisão às empresas multinacionais, e estas por sua vez, passam a ser, também, subsidiadas pelo Estado, além de receberem gordos investimentos das iniciativas privadas.

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quinta-feira, 6 de maio de 2010

“O HOMEM É O LOBO DO HOMEM” Thomas Hobbes

O homem, teoricamente considerado um ser mais evoluído, capaz de raciocinar, sendo assim superior aos demais animais e estando no topo da cadeia alimentar; mas isso não quer dizer nada, pois à medida que o ser humano evolui, ele acaba por se desumanizar cada vez mais, e tomado por fúria torna-se o mais cruel predador da sua própria espécie.

Por isso ao falarmos que “o homem é o lobo do homem” estamos nos referindo ao estado de alienação qual os seres humanos estão inseridos; isto também quer dizer que estamos cada vez mais focados em nós mesmos, nos esquecendo do mundo e das demais pessoas que fazem parte da nossa vida; conseqüentemente somos condicionados a aceitar tudo como verdade plena, necessária e universal, assim sendo, deixamos de questionar a realidade e nos questionar, caindo no senso comum.


Quando o homem torna-se o principal predador da sua espécie, consideramos que a vontade individual sobrepõe as necessidades do grupo. Assim sendo, a ascensão de uma minoria privilegiada existe em razão do sofrimento e exploração da minoria proletária; uma nítida conseqüência do capitalismo, tendo como cenário principal a desigualdade social.

Façamos como sugere o cantor Caetano Veloso “Sejamos o lobo do lobo do homem”, isto quer dizer que devemos lutar contra esta inversão de valores e estabelecer uma relação social de maior igualdade, mais justiça e uma política coerente capaz de estabelecer meios concretos para que enfim possamos construir a verdadeira cidadania plena, que siga a tendência inversa da que conhecemos hoje, ou seja, que nos considere cidadãos a todo e qualquer momento, e não somente em tempos de eleição.

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ATÉ QUANDO JOVEM?

Por Cléber Rodrigo Cordeiro.

Até quando jovem, viverás de forma tão intensa o teu presente, esquecendo-se do passado e deixando de construir o futuro?


Até quando seguirás ignorando que és a possibilidade da mudança e de que precisas cumprir com teu papel social?


Até quando permitirás que teus sentimentos sejam manipulados de forma tão cruel ao ponto de desprezar a própria cultura para assumir uma outra que não te pertence?


Até quando viverás como se estivesse no mundo virtual, representando um personagem que criou para substituir-te no mundo real?


Até quando viverás angustiado sem saber se é melhor percorrer os caminhos do ter ou do ser?


Precisamos urgentemente da tua alegria, do teu entusiasmo, da tua esperança, do teu poder de mobilização e daquela fé inabalável que era capaz de animar e contagiar a todos que estavam a tua volta.

Teu sangue, que corre rápido pelas veias, precisa encontrar o caminho certo para encher de vida esse corpo que anseia tanto por liberdade.

Até quando estarás indiferente a manifestação Divina que se apresenta na suave brisa deixando que ventos fortes te levem ao desconhecido?

PORTAL COMUNISTA - publicação de Cléber Rodrigo Cordeiro. Sociólogo e Professor. famousstudio_willian@yahoo.com.br

VALE A PENA LER ATÉ O FINAL...

Um professor de economia na Universidade Texas Tech disse que ele nunca reprovou um só aluno antes, mas tinha, uma vez, reprovado uma classe inteira.

Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e "justo".

O professor então disse, "Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas".

Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam "justas". Isso quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém seria reprovado. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um "A"...

Depois que a média das primeiras provas foram tiradas, todos receberam "B".

Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.

Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos, eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas.

Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. Como um resultado, a segunda média das provas foi "D".

Ninguém gostou.

Depois da terceira prova, a média geral foi um "F".

As notas não voltaram a patamares mais altos, mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A busca por "justiça" dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala.

Portanto, todos os alunos repetiram o ano... Para sua total surpresa.

O professor explicou que o experimento socialista tinha falhado porque ele foi baseado no menor esforço possível da parte de seus participantes.

Preguiça e mágoas foi seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual o experimento tinha começado.

"Quando a recompensa é grande", ele disse, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável."

impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade.
Cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.

impossível multiplicar riqueza dividindo-a".
Adrian Rogers, 1931.

PORTAL COMUNISTA - publicação de WILLIAN DE SOUZA famousstudio_willian@yahoo.com.br

quinta-feira, 8 de abril de 2010

GRANDES PERSONALIDADES

Visando ampliar nosso leque de conhecimento sobre a América Latina, listamos algumas personalidades que marcaram nossa história e representaram a cultura latina; cada qual ao seu modo de protesto lutaram contra as injustiças sociais em nosso continente. Propomos relembrar desde Che Guevara, um dos maiores revolucionários sul americanos, até a sua compatriota argentina Mercedes Sosa, que tinha na música a melhor forma de protesto e denúncia social.

Ernesto Guevara de la Serna, mais conhecido por CHE GUEVARA (Rosário, Argentina, 14 de Junho de 1928 - La Higuera, Bolívia, 9 de Outubro de 1967) foi um dos mais famosos revolucionários comunistas da história, ganhando grande notoriedade em Cuba, onde atuou entre os principais dirigentes do governo de Fidel Castro.

"O conhecimento nos faz responsáveis.

"O revolucionário deve sempre ser integral. Ele deverá trabalhar todas as horas, todos os minutos de sua vida, com um interesse sempre renovado e sempre crescente. Esta é uma qualidade fundamental.

"Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira.
Che Guevara

EMILIANO ZAPATA Salazar (San Miguel Anenecuilco, México, 8 de agosto de 1879 – 10 de abril de 1919) foi um líder importantíssimo durante Revolução Mexicana de 1910 contra a ditadura de Porfirio Díaz. Considerado um dos heróis nacionais mexicanos, Zapata é também a inspiração para o Movimento Zapatista ou Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), que atua em todo o México, mas tem suas ações mais concentradas no estado de Chiapas, desde 1983 até os dias de hoje.

Frases do Movimento Zapatista

"Mandar obedecendo.

"Um mundo onde caibam muitos mundos.

"Tudo para todos, nada para nós.

Haydée MERCEDES SOSA (San Miguel de Tucumán, 9 de julho de 1935 - Buenos Aires, 4 de outubro de 2009) foi uma das maiores cantoras argentinas de grande apelo popular e de reconhecimento internacional pelas suas ações contra a ditadura militar na Argentina e na América Latina, sendo muito conhecida também como a voz dos “sem voz”. Com raízes na música folclórica, ela se tornou uma das expoentes do movimento conhecido como El Nuevo Cancionero, que se propõe em buscar a riqueza criadora dos intérpretes argentinos.

Gracias a la vida

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me dio dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado el oído, que en todo su ancho
Traba noche y día grillos y canarios
Martirios, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano y luz alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto
Gracias a la vida.

Mercedes Sosa

PORTAL COMUNISTA "América Latina VIVA" - publicação de WILLIAN DE SOUZA famousstudio_willian@yahoo.com.br

XOCOATL, O VERDADEIRO CHOCOLATE

O chocolate conhecido atualmente.
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O atual chocolate, conhecido pelos astecas como xocoatl, era usado como uma bebida nobre pelos povos pré-colombianos. Em Novembro de 2007, arqueólogos encontraram vestígios da mais antiga plantação de cacau em Honduras, que data de 1100 a 1400 a.C, então chamaram a região de “berço do chocolate”.

Hieróglifos maias confirmam o uso do chocolate pelos povos pré-colombianos.
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A civilização maia cultivava o cacau e usavam as sementes para fazer uma bebida amarga. Hieróglifos maias dizem que o chocolate era usado para fins cerimoniais assim como no cotidiano.
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Sementes de cacau.
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O chocolate era um bem luxuoso e importante para os astecas, e os grãos de cacau eram usados como moeda, além disso, todas as áreas conquistadas pelos astecas eram obrigadas a plantar cacau e pagar impostos em grãos.

Contudo
, o chocolate deu origem a diversas lendas, utilizadas até mesmo nos dias de hoje, podendo nos fornecer indícios sobre a utlização desse fruto naquela época.
  • Lenda do imperador do chocolate

Esta lenda diz que foi em Montezuma, no México, que a bebida do cacau teve o seu maior fã. O mito fala que ele possuía, diariamente, à mesa 50 vasilhas de ouro para chocolate e ordenava colocar a disposição de seus funcionários mais de 3000 barris de cacau preparado. Diz a lenda que esse imperador, o último dos astecas, quando esteve no poder, de 1502 até 1520, tornou oficial o uso do chocolate nas refeições dos nobres, ficando conhecido pelas escrituras como o Imperador do Chocolate.

  • Lenda das vítimas de sacrifícios

Diz a lenda que os astecas, nas festividades das colheitas, davam às vítimas de sacrifícios taças de chocolate.

Segundo a historiadora Patrícia Oliveira, os astecas faziam isto para que as almas das vítimas chegassem mais rápido ao céu de uma forma que agradasse as divindades, pois o chocolate era visto como o alimento dos deuses.

  • Lenda das moedas de chocolate

Hieróglifo representa o uso de sementes de cacau como moeda.

Os astecas faziam suas moedas de xocoatl, ou seja, de chocolate. Isto demonstra a importância que o cacau tinha para eles, pois os seus maiores tesouros eram feitos de chocolates.

  • Lenda do harém de Montezuma e o chocolate afrodisíaco

Chocolate Montezuma.

Há uma lenda que diz que o imperador Montezuma tinha mais de mil mulheres e sempre ingeria chocolate antes de ir ao harém.

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PARA DISCUTIR E REFLETIR: "POR QUÊ?"

O SENTIMENTO IMPERIALISTA ESPANHOL
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Por Willian de Souza.

É inato ao ser humano o sentimento de inveja e o desejo de tomar os bens alheios; os indivíduos, uma vez superados em determinado aspecto que naturalmente se julgam “o melhor”, tendem a desenvolver um determinado tipo de sentimento destrutivo, que na conjuntura que compreendia os espanhóis na época foi o imperialismo, que nada mais é do que um falso ideal de superioridade que ilustra perfeitamente vários contextos históricos, especialmente aqueles que dizem respeito à colonização.
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Não existe outra explicação se não as conseqüências iminentes da ganância e crueldade imperialista. Na busca incessante por ouro e riquezas naturais, os espanhóis não tiveram o raciocínio de preservar e poupar toda uma sociedade admirável, procurando cuidar a fim de manter o seu desenvolvimento por muitos e muitos anos mais, porém a cobiça falou mais alto, e ainda aparece gritante na sociedade atual.
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Em um paralelo com o presente, desejamos que o imperialismo não volte a assombrar as minorias, e sobretudo que isto nos sirva de exemplo e motivação para preservarmos o pouco que resta dos povos nativos do nosso país, uma vez que os astecas foram quase que totalmente dizimados; além de estimar o fim do imperialismo, devemos lembrar que atitudes concretas são indispensáveis e insubstituíveis, rumo à transformação social e à formação de uma sociedade consciente, capaz de perceber a real importância não só de preservar as culturas nativas, mas também aprender mais sobre estas.

Além de tudo vale ressaltar os antagonismos na questão ideológica e intelectual entre os povos astecas e os conquistadores espanhóis, pois toda a inteligência utilizada pelos colonizadores só fora eficiente para destruir as maravilhas construídas e as edificações erguidas durante milhares de anos com toda a sabedoria e esforço da sociedade asteca.

Ainda no ramo ideológico, vale a pena discutir uma questão menos divulgada, porém não menos importante, que é o sentimento imperialista, mas desta vez no âmbito religioso, porque fora este mesmo sentimento, que justificou todas as atrocidades cometidas pelos espanhóis, que teoricamente estavam representando a doutrina católica perante os astecas; os conquistadores, por sua vez, não foram nada fiéis aos Dez Mandamentos, e de acordo com os ensinamentos católicos, infringiram o princípio crucial que diz “Não matarás”, uma vez que a história da colonização espanhola na América Latina fora escrita com o sangue de milhões de nativos.
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PARA LER: "POR QUÊ?"

Tzvetan Todorov.
Cortez compreende relativamente bem o mundo asteca que se descobre diante de seus olhos. Contudo, essa compreensão superior não impede os conquistadores de destruir a civilização e a sociedade asteca.

Existe aí um encadeamento terrível, onde compreender leva a tomar; e tomar a destruir, encadeamento cujo caráter inevitável gostaríamos de pôr em dúvida. A compreensão não deveria vir junto com simpatia? O desejo de tomar, de enriquecer à custa do outro, não deveria predispor à conservação desse outro, fonte potencial de riqueza?

O paradoxo da compreensão que mata desapareceria se fosse possível observar naqueles que compreendem um julgamento de valor negativo sobre o outro [julgamento segundo o qual o outro é considerado mau e deve ser destruído]. Ora, lendo os escritos dos conquistadores, vemos que não é nada disso, e que, em alguns aspectos pelo menos, os astecas, provocaram a admiração dos espanhóis.

Quando Cortez deve emitir um julgamento sobre os índios do México, será sempre para aproximá-los dos espanhóis: “Nos comportamentos e nas relações sociais, essa gente tem quase os mesmos modos de viver que na Espanha, e há tanta ordem e harmonia quanto aí [...]”.

As cidades astecas, diz Cortez, são tão civilizadas quanto as espanholas: “O mercado de Tenochtitlán é uma grande praça, toda cercada de pórticos e maior que a de Salamarca”. Diego Godoy, outro cronista, completa: “Ainda que os espanhóis o tivessem feito, não teria sido melhor executado”. Acrescenta Cortez: “Não há nenhum príncipe conhecido no mundo que possua coisas de tal qualidade. Essa cidade [Tenochtitlán] era a coisa mais bela do mundo”.
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Tanto encanto, seguido, todavia de uma destruição tão completa! Longe de esclarecer-se, portanto, o mistério só aumenta: não somente os espanhóis compreendiam bastante bem os astecas, mas também sentiam admiração por eles; e, no entanto, os aniquilaram; por quê?
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Adaptado de Todorov, Tzetan. A conquista da América: a questão do outro.
São Paulo: Martins Fontes, 1999. P.151-4

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